sábado, 14 de março de 2009

OLHA, não há o que falar!




Falar o que, de que, pra quê?
Das crises que de tempos em tempos assolam a humanidade e geram rupturas na ordem estabelecida até então?
Não, isso é assunto de pessoas sérias!
Vamos falar então de coisa de comer, pratos típicos. Coisa boa, cuscuz por exemplo. Ah, mas só para alguns, os nordestinos pelo menos. O tal do paladar cultural.
Pois bem, falemos sobre religião, se discute?
Sobre ciência, embrutece?
Sobre arte? Ah, legal, então?
Vamos falar pra quê?
Falar para melhorar a dicção?
Falar para avultar toda nossa experiência subjetiva!
Falar para expressar pensamentos, opiniões...

OLHA, não há o que falar!
Mas, vamos falar também de coisas fúteis?
Falar dos momentos bons, das conversas bobas.
Falar de quê?
Das pessoas chatas.
Vamos falar do passado.

Falar do que, de que, pra quê?
Falar dos conflitos de identidade.
Dos momentos de vulnerabilidade.
Dos erros e concertos
Das causas e efeitos.
Vamos falar do medo!
Falar o quê?
Sei lá...
Falar dos defeitos.
Do preconceito
Do desejo
Do sujeito

Vamos Falar!
Falemos do simples,
Do complexo,
Do que é,
E do inverso.
Falemos até sobre sexo!

Falar o que, de que, pra quê?
OLHA, não há o que falar!
Falemos sobre isso.
Mas, fale um pouco de você?


Grace Kelly Ferreira.



quinta-feira, 12 de março de 2009

DISCURSO DO CONTRAPONTO

Bom, quando podemos ser simples.
Bom, quando aceitamos o que é simples.
Gostoso, as coisas simples!

Agora, como é difícil ser simples!
E o complexo?
Quando ele começa ser complexo?
A contradição do simples.

Palavras que são tão óbvias, simples.
Há uma necessidade interior de intensificá-las
Torná-las grandes, intensas de fato!
Subjetivá-las, discursá-las transcendentemente
À proporção que isso toma, simplesmente se complica
Simplesmente nos transcende

E quando além do simples
O complexo surpreende

O sujeito estranho
A cara desajustada,
De feição bem afeiçoada,
De traços desencantados
A consciência de outrar-se
Já que a segunda-feira é amanhã
Ai a responsabilidade de seguir em frente
Adiante!

O estranho vira fato, já que o FATO é estranho
Ai a causa do estranhamento é mesmo o desencanto
O desencanto vira pranto
E o pranto é problema do sujeito desajustado
E demasiadamente complexo
Ai, a vontade anímica de VIVER
Com todas as cargas e conflitos dessa investidura
A intensidade desses argumentos,
Simplesmente encerram tal discurso.

Grace Kelly Ferreira.